30/Set
Fonte: CNN Brasil

Aumento no preço da cerveja preocupa setor de bares e restaurantes

Bebidas ficarão mais caras entre 6% e 10%; maior alta deve ser em São Paulo

O setor de bares e restaurantes recebeu com preocupação o reajuste no preço da cerveja anunciado pela Ambev, dona de marcas como Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia, entre outras. Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a expectativa é de que o aumento acompanhe a inflação acumulada nos últimos 12 meses e fique em até 10%.

A Ambev, que comercializa 32 marcas de cervejas, anunciou o reajuste para a partir sexta-feira (1). A companhia, porém, não informou o percentual de aumento nos preços das bebidas> O cálculo, segundo a empresa, “varia de acordo com as regiões, marca, canal de venda e embalagem”. A companhia explicou ainda que o reajuste é feito anualmente e faz parte da política de preços.

Pelos cálculos da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel), o impacto no aumento dos preços das cervejas deve ser maior em São Paulo, chegando a 10%. Nos demais estados, a tendência é de que o aumento fique entre 6% e 8%. No Rio de Janeiro, por exemplo, a expectativa é que fique em torno de 7%. Os novos preços começam a valer a partir de sexta-feira (1).

O economista da Fundação Getúlio Vargas, André Braz, afirma que o aumento tem relação direta com a desvalorização do real, o que eleva o preço dos insumos para produção da cerveja, e com as elevações nos preços da energia elétrica e frete.

“Tudo isso é custo para a companhia e, embora o reajuste nos preços das cervejas seja feito uma vez por ano, esses são fatores que a empresa leva em consideração, pois aumenta o custo da produção”, ressalta o especialista.

Para o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, o reajuste anunciado pela cervejaria, embora compreensível em função da alta nos insumos e do dólar, não é desejável, já que o setor, um dos mais afetados pela pandemia, começa a mostrar sinais de recuperação.

Segundo a Abrasel, uma parcela significativa, cerca de 37%, ainda está operando no prejuízo. Em São Paulo, esse percentual é ainda maior, 50%.

“O setor está hiper pressionado por aumento de custos na luz, no aluguel, nos alimentos, no combustível, que afeta o delivery, por exemplo. Não suporta novo aumento sem repassar para o consumidor. É o acreditamos que vai acontecer instantaneamente”, avaliou.

Solmucci calcula ainda que o reajuste anunciado pela Ambev deverá ser a tendência também implantada por outras fabricantes de cervejas.

De acordo com a última pesquisa realizada pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR), em parceria com a Galunion e o Instituto FoodService Brasil (IFB), divulgada nesta terça (28), 62% dos representantes de estabelecimentos entrevistados ainda não recuperaram o faturamento pré-pandemia e 55% declararam estar endividados.

A pesquisa, feita entre 12 de agosto e 8 de setembro, contou com 800 respondentes de diversos perfis – de redes a independentes – de todos os estados brasileiros, que representam 22.907 lojas, das quais 67% estão localizadas nas ruas e outras 22% em shoppings e centros comerciais.

Dentre todos os estabelecimentos com dívidas, 78% devem para bancos, 57% estão com impostos em atraso, 24% têm dívidas com fornecedores e 14% afirmam ter pendências trabalhistas. Do total de endividados, 48% afirmaram que devem levar mais de dois anos para pagar seus débitos e 63% disseram que vão aderir a planos de parcelamento como o Refis e outros anunciados pelos governos (federal, estadual ou municipal).

Segundo o presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), Fernando Blower, o repasse para o consumidor será inevitável, já que o setor ainda está trabalhando no limite, devido à crise causada pela pandemia. O pouco lucro está sendo direcionado para pagar dívidas.

Representante do mercado cervejeiro, Gabriel Pulcino, diretor do Mondial de la Bière Brasil, evento anual que reúne diversos produtores do setor, acredita que, apesar do reajuste, a tendência continua sendo de crescimento do consumo de cerveja.

“No ano de 2020 [ano da pandemia] o setor bateu todos os recordes tanto de produção quanto de venda. O brasileiro passou a consumir mais cerveja em casa. O reajuste pode, num primeiro momento, frear o consumo, mas não a ponto de gerar uma queda no consumo”, afirma Pulcino.

Em nota o Grupo Heineken diz que as revisões na tabela de preços estão relacionadas à dinâmica natural do mercado brasileiro e às necessidades de compensar os impactos da valorização do dólar nos custos de matérias-primas e dos custos logísticos.

“Diante desse contexto, a empresa já fez uma revisão neste ano e não tem previsão de novos reajustes de preço para o último trimestre de 2021”, diz em nota.

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